Conformar-se com pouco, perdedor ou não?
"É como ganhar uma bala como prêmio de consolação por não ter conseguido o bombom."
Em alguns dias eu aceitaria a bala. Em tantos outros, talvez na maioria, pelo inconformismo que se mistura com o sangue que corre nas minhas veias, eu chamaria quem aceita a bala de perdedor, de completo perdedor. Chamaria a mim mesmo, por um passado não muito distante.
Não pela falta de luta, ou mesmo pela falta de escolha. Resignação. Que eu não estou a fim de torná-la parte da minha vida novamente. Cansei de prêmios de consolação, palavras fracas e meramente políticas, mesmo que com boas intenções. Cansei de tentar e não perceber qualquer tentativa ao meu redor, à minha frente. Cansei de atitudes que tinha, de pensamentos que tinha. Ficar com algo diferente do que se deseja é melhor do que perder tudo. Começo a ter certeza de que serei um perdedor ainda maior se continuar com esse resto de pensamento na minha mente, e com esse resto de sentimento onde quer que esteja o meu coração.
Quando for para parar de tentar, de lutar, será para parar tudo, deixar ao longe, apenas como uma lembrança de luta, mesmo que fracassada, passada.
Passado.
Frase do dia
não está pronto para viver."
Martin Luther King Jr.
Creedence Clearwater Revival - Sail away
Elefante no papel
Quem nunca recortou um elefante em uma folha de ofício com uma tesoura de jardim de infância que atire o primeiro comentário. Quem nunca olhou para um desenhou feito no papel, independente de qual, e, tendo que recortar, achou que iria ficar muito mal recortado, que atire o primeiro comentário. Quem nunca fez bem um coisa que achava que iria fazer mal, que atire o primeiro comentário.
Sei que alguns devem ter pensado em atirar um comentário, mas não atiraram por medo de me humilhar, mas enfim, estou aqui para servir de objeto de xingamento, como no post, mal escrito, abaixo.
Mas voltando ao elefante, chega um momento em que recortar quadrados e triângulos não tem mais graça. Nem círculos são a mesma coisa que eram há algum tempo atrás. Porque os tempos mudam, as pessoas evoluem, ou não, e as idéias acabam se aperfeiçoando, ou por vezes piorando.
Porém, volta e meia nos deparamos com novos desenhos a serem recortados. Aí vem espadas, colheres, brincos, pedras preciosas com linhas retas, enfim, coisas não muito mais difícil do que o que nos amedrontava. Só que mesmo assim, tendo recortado os círculos e tal, muito bem, ainda achamos que as espadas que recortarmos ficarão feias, mal recortadas, afinal, não temos aptidão para tal coisa.
Aí recortamos muito bem. Nada comido nada com bordas. Muito bom trabalho. Aí surgem árvores e animais, como o elefante. Desistimos por medo de que o nosso trabalho de recortar acabe estragando essas imagens. Desistimos muito mais para tentarmos provar para nós mesmos, erroneamente, que somos incapazes para esse trabalho.
E deixamos de lado, guardamos na gaveta da mesa do computador. E os desenhos, e a tesoura, ficam lá, por semanas e semanas. Um dia, estamos entediados, e o que decidimos fazer? Recortar aqueles desenhos que não foram recortados pela nossa incapacidade. Um pé atrás agora, porque se eu não sou capaz, mesmo que tenha tempo, como vou recortar?
Mas o elefante do papel nos provoca, nos olha com uma cara de “foge de mim seu tongo”. E nós, agora por teimosia e para provar pro idiota do elefante da folha, e até para o tongo que há em nós, vamos lá, recortamos e mais uma vez, bem recortado. Claro, que só de raiva, cortamos depois a cabeça do elefante, mas nada que uma fita durex não resolva.
E recortar torna-se algo fácil. Mas como era difícil. Como um incapacitado como eu conseguiu fazer tão bom trabalho? Difícil entender que nada é complicado quando se tem vontade? Complicado demais, para mentes tão geniais, entender que bonito é quando fazemos algo, e não necessariamente o que fazemos?
Um dia nós precisamos tirar a folha com o maldito elefante e recortá-lo, nem que seja para provar ao idiota do elefante, que eu tenho uma boa mira e consigo cortar aquela cabeça idiota dele...
Tão tá!
No computador, com as bergamotas, mesmo tendo que estudar
Quantas vezes tu comestes uma bergamota, que estava na geladeira, às 10 e meia da noite, ouvindo Foo Fighters?
Se alguém responder positivamente, pare de ler, caso contrário, continue. Ou se responder positivamente e quiser continuar a ler, estará convidado, até porque não haverá nada apenas para um dos lados da caixa.
São coisas como essas, que no futuro trazem desfechos nem sempre muito bons(problemas intestinais são frequentes em algumas pessoas, felizmente não sou um desses), mas que no momento nos trazem um sentimento... algo próximo ao êxtase felicitativo. É uma coisa que parece ser inacabável, incontrolável, impagável. Algo tão difícil de descrever o que se sente quando se ganha algo que nunca se imaginava ganhar.
Sentimentos assim, sinceros, expontâneos, só fazem com que as nossas vidas, que por viver nesse mundo acabam se tornando infelizes só pelo fato do contexto ser o que é, ganhem um suspiro a mais, umas moléculas de oxigênio a mais, para que possamos respirar e lutar por algo melhor amanhã, ou daqui a pouco mesmo.
Comer uma bergamota gelada, às 10 e meia da noite, jogar as cascas e as sementes em cima de uma prova antiga(fato não descrito antes) e ainda por cima ouvir Foo Figters, é uma coisa do outro mundo. Não dá para descrever a sensação, que só seria melhor se eu estivesse ouvindo "O Vagabundo", do Maria do Relento, no som máximo que as minhas velhas caixas de som podem agüentar, e cantando, mesmo que com a boca cheia de bergamota.
Talvez amanhã eu faça isso. Talvez não. O que importa é que hoje eu fiz algo diferente, diferente do que eu havia feito ontem.
Originalidade, que não deve ser muito incentivada, porque senão, imagine a baderna que ia se tornar o mundo... não sei se seria bom ou ruim, mas enfim, deixem por enquanto para os malucos fazerem essas coisas, escreverem essas coisas tentando mostrar à alguém, alguma coisa.
I'll never surrender...
Terra de Ninguém
Bem, eu hoje não tenho nada específico para postar. E por isso vou falar sobre o maior "nada" que existe: o Brasil, Terra de Ninguém. Mesmo aqui no RS, onde a coisa ainda não é tão crítica, ainda há reflexos de um governo federal completamente caótico. O Papagaio, que obedecia regime semi-aberto, fugiu de novo. Ainda não mataram ele? E como ele ainda consegue parar em regime semi-aberto? Quem foi que disse que o dinheiro não compra a liberdade?
Outro escreve em seu blog pessoal que o sistema sócio-econômico do MST é modelo. Não vou discordar disso. Mas eu não concordo com essa atitude de invadir propriedade alheia. Uma das coisas legais do capitalismo é que, a princípio, tu trabalhas para ter o que é teu, e quem vence é o melhor (ou o mais apto). Se não fores bom, tu perdes. Isto é justo. MST é um bando de vagabundos fracassados que perderam no capitalismo e agora querem se valer do comunismo bem organizado para conseguirem o que querem.
Mesma coisa tem acontecidoo com os índios. Lá para o Norte do Brasil, há uma estrada que, 12 horas por dia, é bloqueada para brasileiros. Só passam índios e ESTRANGEIROS. E em vários outros locais os índios têm conseguido espaço e reservas exclusivas, apoiados por associações indíginas e ONG's ESTRANGEIRAS. Bugrada nada burra... Acontece que há muito tempo eles já não são os donos do Brasil, essa guerra eles perderam. Já não existem mais índios puros, todos têm cruza com branco, negro, etc. À essas alturas, eles têm mais é que se adaptar ao sistema atual e deixar de querer tudo bonitinho só para eles.
E ainda tem esse negócio de negro x faculdade. Algo do tipo: "A gente tem que dar opurtunidade a eles, porque, por natureza, eles não têm capacidade mental para passar num vestibular." E o povo é que é racista.
Brasil, Brasil, pátria amada... Blééééé. Sim, o Lula deve amar esta pátria mais ainda; vive mandando dinehiro para Cuba, Bolívia, enfim, para ajudar desabrigados, tropas, e vítimas ESTRANGEIRAS... E o Brasil? Uma causa perdida. Enquanto o Lula se diverte lá em cima, aqui embaixo os brasileiros se divertem assistindo Big Brother Brasil, e a Rede Globo, então, se diverte mais ainda.
A solução agora é lutar pelo Rio Grande do Sul separadamente... Independência aos gaúchos, nazianarquia para esta República Farroupilha!
P.s.: Esse negócio de nazianarquia não quer dizer adotar ideologias anti-semitas aqui no RS... Está mais para neo-nazismo mesmo, ideologias xenofóbicas.
Desabafo(mais uma vez)
Sentado na frente do computador, ao lado de outra cadeira, vejo à minha frente não só o monitor, o dicionário, mas também aquela que tem sido minha companheira de blog. Não só aqui, mas nos meus outros blogs também. Minha garrafa com água.
Garganta seca exige que bebamos água. E comigo hoje a garganta está muito seca. Chega até a arder. E não há água que a faça parar. A água acalma um pouco essa ardeção. É sede. Sede, não só de água, mas de algo mais.
Eu podia escrever um poema, uma poesia, mas não, não o farei pois deixo para aqueles que se julgam poetas do século XXI que as façam. Só que não me chamem qualquer coisa de poesia.
Eu usaria uma metáfora, uma antítese, mas tudo isso é muito comum e eu não lembro o que é antítese(nas aulas de literatura eu lia, não prestava atenção na aula). Mas não sei, volto à garrafa. Como é útil ter uma garrafa. Quem já teve sede, quem já sentiu a sua garganta arder, por qualquer que seja o motivo(sem bobagens mentes poluídas), sabe que quando se bebe água, isso passa. A garganta volta ao normal.
Quem me dera eu, nesse momento, ter uma garrafa com água psicológica. Não é alucinação. Não fumei nem bebi, nem coisa parecida. Não estou surtando. Porque acho que alguém deve concordar que não há nada mais "ardente" que uma traíção. Nem precisa ser uma traíção com falsidade ou o famoso "par de chifres", muito menos uma sacanagem que lhe prejudique pelo resto da vida. Uma traição por omissão já basta. E algumas vezes essa é a pior traição possível. Porque quando tu menos esperas, descobres que alguém não queria que tu soubesses de algo.
Posso contar quantos textos escrevi sem um sentimento que não fosse raiva ou vontade(vontade de expandir uma idéia ou um sentimento de felicidade ao mundo). Raros são esses.
A luta contra os normais é interminável. Nunca acabará. Nem procuro a exceção desse nunca pois seria como procurar uma pessoa, sem saber o seu nome nem endereço, numa cidade como Tóquio. Não dá. Tu podes perder a vida inteira.
As pessoas buscam felicidade. As pessoas buscam amor. As pessoas buscam carinho. As pessoas buscam alguém que as entenda e proteja. As pessoas buscam algum bem material. As pessoas buscam um sonho. As pessoas buscam... tudo o que tiverem vontade. Não critico isso, pelo contrário, se o desejo é sincero eu apóio a busca. Só que eu não busco isso. Já tenho isso. Meus sonhos poderão se realizar, por isso não os busco agora, o resto do que escrevi, já tenho(meus pais me entendem e me protegem). Busco agora sinceridade.
Não a sinceridade de desabafo, a sinceridade de raiva e muito menos a sinceridade de interesse. Busco a sinceridade sincera(muito redundante, porém real). Uma sinceridade quase inexplicável. Uma sinceridade que os normais jamais presenciaram.
Disse muito e não disse nada. Mais uma vez. Ah, descobri o que eu vou buscar à partir de hoje, deixando um pouco de lado a sinceridade que tanto procurei mas raríssimas as vezes que achei. Vou buscar a tal da garrafa com água para a minha mente, para o meu problema psicológico.
Mais uma vez retomo uma idéia que escrevi em um texto passado(no blog do maluco), que eu só tenho uma saída, ir para um hospício, um manicômio. Não me resta mais nada. E esse é o meu destino quando eu parar de querer enfrentar esse mundo normal que tanto me prejudica e que eu tanto insisto em perdoar, assim como o filho DELE fez conosco.