Elefante no papel

Quem nunca recortou um elefante em uma folha de ofício com uma tesoura de jardim de infância que atire o primeiro comentário. Quem nunca olhou para um desenhou feito no papel, independente de qual, e, tendo que recortar, achou que iria ficar muito mal recortado, que atire o primeiro comentário. Quem nunca fez bem um coisa que achava que iria fazer mal, que atire o primeiro comentário.

Sei que alguns devem ter pensado em atirar um comentário, mas não atiraram por medo de me humilhar, mas enfim, estou aqui para servir de objeto de xingamento, como no post, mal escrito, abaixo.

Mas voltando ao elefante, chega um momento em que recortar quadrados e triângulos não tem mais graça. Nem círculos são a mesma coisa que eram há algum tempo atrás. Porque os tempos mudam, as pessoas evoluem, ou não, e as idéias acabam se aperfeiçoando, ou por vezes piorando.

Porém, volta e meia nos deparamos com novos desenhos a serem recortados. Aí vem espadas, colheres, brincos, pedras preciosas com linhas retas, enfim, coisas não muito mais difícil do que o que nos amedrontava. Só que mesmo assim, tendo recortado os círculos e tal, muito bem, ainda achamos que as espadas que recortarmos ficarão feias, mal recortadas, afinal, não temos aptidão para tal coisa.

Aí recortamos muito bem. Nada comido nada com bordas. Muito bom trabalho. Aí surgem árvores e animais, como o elefante. Desistimos por medo de que o nosso trabalho de recortar acabe estragando essas imagens. Desistimos muito mais para tentarmos provar para nós mesmos, erroneamente, que somos incapazes para esse trabalho.

E deixamos de lado, guardamos na gaveta da mesa do computador. E os desenhos, e a tesoura, ficam lá, por semanas e semanas. Um dia, estamos entediados, e o que decidimos fazer? Recortar aqueles desenhos que não foram recortados pela nossa incapacidade. Um pé atrás agora, porque se eu não sou capaz, mesmo que tenha tempo, como vou recortar?

Mas o elefante do papel nos provoca, nos olha com uma cara de “foge de mim seu tongo”. E nós, agora por teimosia e para provar pro idiota do elefante da folha, e até para o tongo que há em nós, vamos lá, recortamos e mais uma vez, bem recortado. Claro, que só de raiva, cortamos depois a cabeça do elefante, mas nada que uma fita durex não resolva.

E recortar torna-se algo fácil. Mas como era difícil. Como um incapacitado como eu conseguiu fazer tão bom trabalho? Difícil entender que nada é complicado quando se tem vontade? Complicado demais, para mentes tão geniais, entender que bonito é quando fazemos algo, e não necessariamente o que fazemos?

Um dia nós precisamos tirar a folha com o maldito elefante e recortá-lo, nem que seja para provar ao idiota do elefante, que eu tenho uma boa mira e consigo cortar aquela cabeça idiota dele...

Tão tá!

Um comentário:

graziela disse...

pelo visto tu realmente ficaste com raiva do pobre elefante...