Pensemos nisso, ou não

Ao som de “Born on the bayou – Creedence Clearwater Revival”

Com exceção dos aprendizados escolares, grande parte do que é aprendido, principalmente na questão ética e moral, é aprendido de maneira contraditória. Por exemplo. Você não aprende o que é sinceridade e humildade. Você aprende, ou ensina que é errado mentir, que é errado achar-se melhor que alguém e que é errado ficar gabando-se dos seus feitos.
Não sei se é melhor é assim. Começo a achar que não. Se tivéssemos desde cedo o aprendizado do que é certo, do que não devemos fazer, e não do que é errado e não devemos fazer, talvez as coisas fossem diferente. Um pouco, muito, não sei. Talvez não mudasse nada. Mas é contraditório querer que alguém seja sincero ensinando que mentir é errado.
Por quê? Porque ninguém apanha com mentiras pequenas, que são as primeiras ditas por qualquer um que possua boca. Ninguém apanha por dizer que o irmão foi quem quebrou o porta-retrato, embora ele nem estivesse em casa naquele momento. Você até ouve um “mentir é feio, não faça mais isso”, mas aquilo não faz tanta diferença. Porque afinal de contas, você se safou da surra.
Justo, injusto? Você não tem consciência disso quando está aprendendo. Aprendendo valores. Valores morais e éticos. Você só vai ter consciência de justiça quando sofrer uma injustiça. Aí entra mais uma contradição. As coisas são normais até que sejam injustas. E só depois de serem injustas é que você percebe o que é ou deveria ser, para você, justo.
Se tivéssemos senso de justiça desde pequenos, não deixaríamos que um colega inocente, que não gostamos, levasse a culpa por algo que um colega, de quem gostamos,fez. Senso de justiça. Do que é certo. É certo dedurar um amigo, ir contra nossos princípios sentimentais de amor e amizade só pela justiça? Pense então em coisas maiores para depois tentar responder isso. Se ajudar um amigo, desviando sua culpa para alguém inocente, é errado, dar cargos públicos para familiares, precisando ou não, também não seria errado.
Afinal de contas, esquecendo a primária corrupção, quem faz isso está apenas seguindo valores emocionais, de amor e amizade. Não é? Talvez não seja, vai da noção de moral que cada um tem. Questão de opinião mesmo. Mas continuo achando que a falta de moral, de ética e de todo conhecimento do que faz isso ser isso mesmo, vem do ensino do que não deve ser feito, e não do ensino do que deve ser feito. Eu sou estranho mesmo.

2 comentários:

Thequila! disse...

Não concordo nem discordo, muito pelo contrário.
Pronto, depois desse título, dessa postagem e desse comentário, a Grazi pode bater em todo mundo de raiva anti-filosófica iajsijsa

E sim, tudo seria diferente se o aprendizado fosse feito de outra maneira, mas ficamos naquela dúvida do "e se...", porque essa é uma resposta que não vamos conseguir com facilidade.

Graziela disse...

é, thequila... por enquanto a raiva anti-professor de sistemas digitais e microprocessados tá bEEEEEEm maior....

e sobre a postagem, eu não sei se concordo ou não. é que eu penso que tudo é meio hipócrita nessa sociedade. e se eu digo tudo, é tudo, mas tudo mesmo. pouquissimas exceções.

a gente vive ouvindo um monte de coisas bonitas e vendo um monte de exemplos nada gentis... deveria ser o contrário. quero dizer, acho que exemplos marcam muito mais do que palavras. então você pode falar o que quiser e ensinar como quiser...