Um resumão de como foi a minha praia... Que não era lá muito a minha praia

Segunda-feira saí de casa. Fomos para Torres. A intenção era voltar nessa próxima segunda. Chegamos lá numa casa que a minha mãe alugou por telefone. Era tipo um cortiço, um grande corredor perpendicular à rua com quatro casas ao seu comprido. A nossa casa era a segunda; pequena, suja, empoeirada. A janela do banheiro dava para o “corredor” de passagem para as casas dos fundos, e isso fazia-me sentir pouco à vontade no banheiro (minúsculo e o vaso era desconfortável), porque qualquer barulhinho desagradável todos lá fora iriam ouvir. Mesmo assim, no início a casa pareceu uma boa idéia, porque passaríamos mais tempo correndo rua do que em outras vezes que fomos à praia. Tomaríamos chimarrão na lagoa (isso sem saber que lá, à tardinha, tem mais vento que na praia). Etc.
As camas dos quartos eram ruins. Os colchões também; muito moles, me engoliam quando eu deitava. Em cada quarto tinha uma cama de casal e uma cama de solteiro. Meu irmão ficou com a cama de casal do nosso quarto, e eu dormia na cama de solteiro. Como se não bastasse uma cama bem maior que a outra, certa vez eu acordei de noite com o meu irmão dormindo da cintura para cima na cama dele, as pernas no vão entre a minha cama e a dele, e os pés na minha cama. Com todo aquele espaço... Outra vez eu acordei e o braço dele tava em cima do bidê, e o meu mp3 player que deveria estar no bidê tava no chão, perto de uma barata.
A água do mar em geral era bem suja, tanto como nunca havíamos pego antes, e gelada. Quero dizer, tava no ponto... para gelar a Coca ou a cerveja. Em nenhuma manhã tomamos banho. Eu ia, esperançosa, molhar os pés para testar a temperatura, e voltava direto pro guarda-sol, desiludida. Jogávamos frescobol, era isso o que fazíamos na praia. Nas tardes eu e meu irmão chegamos a tomar banho, mas era só entrar, mergulhar, fingir que a água tava ótima e sair correndo. Dá-lhe frescobol outra vez.
Depois começou a ficar tri ficar em casa. A vizinhança era arriada. Do nosso quarto dava para ouvir tudo o que eles falavam. E toda vez que alguém na rua estourava um rojão ou foguete eles gritavam “Grêêêmioo!” Eles falavam sobre videogame, sobre os professores de matemática que já tiveram, sobre o que iam falar no amigo secreto (ouvi: “já sei o que eu vou dizer, vou dizer que o meu amigo tem cara de morcego, dentes de cavalo,...”), e riam do banheiro deles (era pior que o nosso). Certa vez eles pediram para que um deles não acendesse cigarro perto do banheiro de jeito nenhum. Numa outra vez eles estavam conversando sobre acordar-se e levantar-se durante a noite, e um guri falou que ele nunca se levanta para ir no banheiro... Eu ri comigo mesma: “como é que ele faz então para chegar lá?” hahahaha
A virada do ano à beira-mar foi chata. O foguetório tava bem legal, incomparável com qualquer um que eu já tivesse visto, mas os shows tavam ruins. Assim, minha contagem regressiva para o fim daquilo tudo foi bem mais intensa.
Enfim, o único dia mas legalzinho foi quinta de tarde. Foi o dia em que a água do mar estava melhorzinha, mas não foi nem por isso. Uns garotos estranhos, que tinham cabelo de argentino (dá para reconhecer argentino e brasileiro só pelo corte de cabelo), mas falavam português (com sotaque estranho, mas gaúcho), começaram a jogar taco perto de onde tava instalado nosso guarda-vento (porque sol a essas alturas... o vento já tinha levado). Logo viramos as nossas cadeiras para onde tavam jogando e assistimos o que pudemos. E rimos também. Tinha uma dupla que não acertavam nada, nem quando tavam com o taco nem quando tavam com a bola (demoraram meio ano para fazer UM pontinho com o taco). Um outro, que fazia parte da dupla até então vencedora, não acertava uma tacada. Era bom quando tava com a bola, mas com o taco na mão... Eu acho que eram meio vesgos e não viam exatamente por onde a bola passava. Deu para rir um pouco.
Depois voltamos para casa. Eu já tinha trovado a mãe para ela acertar as contas com a dona da casa e picarmos a mula ontem de manhã. O negócio ficou assim: se chovesse, viríamos embora. Se o tempo tivesse bom ficaríamos. Mas ontem choveu. Os nossos vizinhos ficavam ouvindo heavy metal e isso nos irritou. Na manhã de ontem veio a revanche. Enquanto todos aproveitavam a chuva para dormir até mais tarde, meu pai abriu nosso porta-malas e botou para rodar um Cd de músicas gauchescas.. E nós viemos embora. Nada melhor. Quando chegamos lá, ninguém veio correndo nos receber. Mas quando chegamos em casa, zuum, vieram correndo nossos amáveis e arteiros cães de estimação. Eu bem senti saudades deles. O Simba tava como o deixamos. Mas a Dália tava bem mais gorda. Suspeita-se que tenha avançado sobre o balde de ração. Além de morder e rasgar um pouco alguns boletos bancários deixados pelo correio, derrubar um vaso de flor, comer outra, detonar com uma sandália que a mãe havia deixado especialmente para esse fim, etc. Sem contar o melhor de tudo: eu sabia que no meu armário tinha uma caixa de bombons prontinha para ser devorada!

2 comentários:

Maurício disse...

é 2 e 30 da manha agora, meus olhos estão super vermelhos e o do Vini também, mas prometemos que leremos tudo isso e mais um pouco de manha, porque agora não tem como

Graziela disse...

hehehe quando terminei o texto vi que talvez tenham exagerado no tamanho, mas eu queria escrever tudo..
a retrospectiva 2008 ficou bem maior, mas essa nem pensar em postar hahahaha