Definir o que não faz muito sentido é complicado. No exemplo que me leva a escrever agora, não há um nome correto para tal atitude, porque comodismo é pouco, algum termo popular agressivo talvez fosse demais, enfim, fica sem uma definição clara.
O que vem à escrita é essa... coisa que muitas pessoas têm de estar onde não deveriam estar. Seja mania, costume, comodismo, interesse ou afim, é bobo. Em certos casos ridículos. Se estão todos em uma festa da bergamota, por que levar um cacho de banana, ô macaco? Me diz, por que?
Um metaleiro não vai em show do restart ou do luan santana. Mentira, vai e com gosto, disfarçado. Claro, guriazinhas carentes não faltam. E a caveira na camisa que ficou no guarda-roupas, os amigos que são verdadeiros metaleiros e estão queimando um poster do Nxzero, como ficarão quando souberem? Dirá que pegou tantas e tantas meninas, mas e a honra, a personalidade, o orgulho de ser alguma coisa, onde fica?
É estranho que eu escreva isso, aqui. Porque não sou eu o radical, que critica a sociedade fútil, patética, bisonha e, claro, vendida e manipulável. Mas o faço porque alguém me inspirou a escrever. Alguns alguéns nos últimos dias.
Pode até não ser nada, ser uma bobagem de quem acredita em bobagens ultrapassadas como 'personalidade própria' e 'caráter'. Que mal tem um metaleiro no show do restart, um intelectual no programa do faustão ou o Luís Fernando Veríssimo com a camisa do Corinthians?
Sério, nenhum mal. Mas pelo amor do grandioso Deus, seja coerente. Os ecléticos que me perdoem mas, essa história de gostar de tudo na música é pretexto para libertinagem. Se você gosta de rock jamais vai gostar de luan santana. Não vem com desculpa que ele canta bem ou isso ou aquilo. Você vai no show pela meninada delirante, com um topete na cabeça para tentar ser parecido com ele. Você volta para a casa, sem ter chegado perto de ninguém, se olha no espelho e pensa 'que idiota'. No próximo show, repete o visual, mudando apenas a cor da camisa. Um parabéns! irônico para você.
Pior exemplo ainda é o fumante que faz campanha anti-tabagismo. Com ou sem hífen. Sério, ou uma coisa ou outra. E o ateu que faz o sinal da cruz e reza quando um familiar está doente? Nessas horas todos passam a acreditar em um Deus que existe agora, mas que não existia em suas vidas. Ou ainda a menina que critica as mais saidinhas, as assanhadas que ficam com muitos meninos e, na sexta-feira coloca a saia mais curta, deixa à mostra um decote de carnaval e vai com as amigas tomar, ou verbo afim, sorvete no meio da multidão, desferindo olhares diretos e ofensivos a todos do sexo oposto. As outras não podem, ela pode. Grande incoerência, Batista!
Companheiro, você se vendeu, se deixou levar pelo que quis fazer, pelo que todos fazem. Um erro que todos cometem não é mais erro. Mentira, tongo. Sendo quem o cometa, um erro será sempre um erro. Mas tudo bem, você não tem personalidade própria. Aceitável, a maioria é assim. Só que, na boa, fica quieto, não fala mais nada. Não se declare à favor de todas as etnias se você faz piadas ofensivas a negros, índios, brancos ou seres humanos de qualquer outra cor.
Só assim, se não for pedir demais, não chega perto.
Atenciosamente, à direção.