Histórias do Tosco (9)

- Querido, você me ama?- Claro que sim.
- E você faria qualquer coisa por mim?
- Supõe-se que sim.
- Amor.
- Diga.
- Ai, eu te encho de adjetivos carinhosos e você só me fala um 'diga' e bem seco ainda...
- Mas é que eu...
- Não diga mais nada, você não me ama, por isso tem vergonha de me chamar de amor, de querida, de linda, de...
- Agora é você quem não vai dizer mais nada. Chega.
- Mas querida...
- Não me venha com querida agora...
- É que eu...
- O que? Você o que? Quer o divórcio?
- Eu só queria dizer que...
- Diga, diga logo que não me ama, que tem outra e que até já comprou um carro pra ela e que dá os vestidos mais caros, e que a ama como nunca me amou...
- Ei!
- O que?
- Você está surtando. Eu só queria dizer que...
- EU ESTOU O QUE?
- Calma meu amor... calma...
- Calma o caramba! Se você não me disser logo o que tem pra dizer eu vou embora agora, levo as crianças junto e nunca mais você vai nos ver.
- Eu só queria dizer que esse doce de morango que você fez está uma delícia.
- Doce de morango?
- É, tá uma delícia.
- Adeus!
- Por quê? O que foi que eu fiz? Eu apenas te elogiei...
- Elogiou sim... seu mentiroso.
- Por quê?
- Porque isso é um doce de acerola.

*baseado em fatos reais, 
em um texto do Luís Fernando Veríssimo 
e em uma conversa de MSN

2 comentários:

Graziela disse...

dramático.

Thequila! disse...

Dramático. [2] E real.
E eu li o texto do Veríssimo.